Quando falamos em mobilidade urbana e no compromisso que ela deve assumir com a sustentabilidade, algumas pessoas afirmam que esse é um conceito utópico, impossível de ser aplicado em grandes cidades. Mas, será mesmo? 
 
Londres, a capital da Inglaterra, está se tornando um dos maiores exemplos de transformação na mobilidade sustentável de uma grande cidade. E não é à toa. 
 
Londres é o 2° município mais populoso da Europa. Para se ter uma ideia, além da Cidade de Londres, ele ainda engloba mais 32 distritos. Tudo isso une aproximadamente 8,8 milhões de habitantes em uma área de 1,57 km², segundo dados de 2016. Isso representa uma densidade populacional de 5,5 mil habitantes por km².  
 
Movimentar toda essa gente de uma forma sustentável não é tarefa fácil. Em 2014, haviam 2,6 milhões de carros registrados em Londres e aproximadamente 57% das casas da cidade possuíam pelo menos um carro. Tudo isso sem contar a grande quantidade de transportes públicos privados, como táxis, que circulavam entre os distritos.   
 
Para se ter uma ideia, os londrinos passavam cerca de 9h por dia dentro de um carro.  
 
Mas, mesmo com todos esses problemas, Londres vem conseguindo mudar seu sistema de mobilidade urbana, e se tornado referência mundial em mobilidade sustentável.  
 

O Grande Plano Verde para a Mobilidade Sustentável

Visando tornar a mobilidade urbana da capital inglesa mais sustentável, o Departamento de Transporte para Londres (TfL) colocou em prática um plano gigantesco. Podemos dizer que esse plano integra (quase) todos os meios de transporte público. Ele começa nas calçadas da cidade, passando por ruas e avenidas, por debaixo da terra e integrando até as águas do Rio Tâmisa. 

O plano criado pelo TfL possui 10 medidas, que juntas têm o objetivo de melhorar o deslocamento da população e o meio-ambiente. A ideia principal é promover a saúde e bem-estar da população, incentivando o uso dos transportes coletivos, caminhadas, exercícios e ciclovias que percorrem toda a cidade.  

Descubra todos os meios utilizados na cidade para transformar a cidade de Londres em uma capital da mobilidade sustentável.  
 

1 – Mobilidade em Duas Rodas

Mobilidade Sustentável
O grande tempo perdido todos os dias pelos londrinos estando dentro de um carro fez a cidade investir em meios de transporte alternativos. Entre eles, as bicicletas vêm ganhando uma atenção especial.   

Aqui na E-Movingpor exemplo, nós estimamos que: ao substituir o carro por uma e-bike, você pode economizar até 14 dias por ano na cidade de São Paulo.  
 
A cidade de Londres também ampliou e integrou todas as ciclovias de todos os distritos além de investir no aumento da segurança das rotas das bikes, que dividiam lugar com os carros nas ruas.

Lá também existe um sistema de aluguel de bicicletas, conhecida como “Boris bikes”. Esse nome foi dado em homenagem ao ex-prefeito Boris Johnson, que amava pedalar e que, durante seu governo, implantou o sistema de aluguel de bicicletas na cidade.  
 

– Os Vermelhinhos de Dois Andares  

Vamos falar sobre o Routemaster, aquele ônibus vermelho de dois andares, que sempre foi o queridinho dos cidadãos e turistas. Apesar de muito simpáticos, os modelos antigos poluíam bastante a cidade e eram constantemente alvos de críticas.  
 
Por isso, para estarem de acordo com o plano, a frota foi renovada. Os novos modelos são híbridos, mas mantendo o design tradicional. A maior parte dos Routemasters que andam pelas ruas de Londres hoje, também utilizam eletricidade para se movimentar.  

Além das melhorias nos ônibus, a cidade também reduziu a velocidade permitida para áreas centrais e densas para 30km/h. Assim, foi possível reduzir acidentes e melhorar a circulação das vias urbanas.

 

3 – Por baixo da Cidade

Já o metrô de Londres possui 268 estações, e aproximadamente 400 km de extensão. Ele é dividido por setores (cores) e as tarifas são estabelecidas de acordo com a região e distância. Quem anda menos paga menos e vice e versa. Assim fica mais justo, né?   

E para complementar o seu passeio, Londres possui o metrô mais antigos do mundo, conhecido como The Tube, ele é um verdadeiro clássico que se move.  
 

4 – Ande pelas Águas

E como quase toda cidade da Europa, Londres também tem um rio que corta a cidade. Estou falando do famoso Rio Tâmisa.  E porque não se aproveitar disso?

Para aproveitar esse modal, o governo da cidade implementou o River bus 

Eles são como Routemaster aquáticos, ótimos para quem quer pegar uma via expressa e ainda curtir a vista da cidade. Quem não gostaria de ir trabalhar apreciando o Palácio de Westminster ou a Tower Bridge no caminho?   
 

5 – Outros Meios 

Quem quiser andar a pé, fazer umas comprinhas, passear ou conhecer as ruas de Londres, também desfruta de muito conforto. As calçadas foram remodelas a pouco tempo, e agora estão mais largas e acessíveis à cadeirantes e idosos, permitindo uma maior circulação.   
 
A cidade também possui trens e bondinhos para quem quer viajar, se sentir um pouco dentro de um filme inglês e ver a paisagem da cidade. 
 

6 – Inovação nos meios de pagamento

A melhor parte de toda essa mudança é que a forma de pagamento é totalmente integrada em um único cartão. O Cartão Oyster foi o primeiro cartão inteligente de transporte do mundo. Implantado em 2003, ele dá acesso aos ônibus, trens, metrôs, bondinhos e muitos dos percursos percorridos pelo River Bus 
 
O Cartão Oyster, funciona como qualquer cartão magnético, porém é capaz de gerenciar todo o sistema de tarifação da cidade sem você ter que carregar vários cartões diferentes ou dinheiro para pagar transportes coletivos.  
 
Oyster card ainda possui um benefício chamado “price cap“, que funciona como uma espécie de teto diário. Funciona mais ou menos assim:  Se você atingir esse limite no dia pode continuar viajando e não será mais cobrado pelas suas viagens. Você pode comprar seu Cartão Oyster em qualquer estação de metrô da cidade.  
 

Mas tudo isso já melhorou alguma coisa?

Com todas essas melhorias, hoje a Cidade de Londres possui cerca de 7,5 mil coletivos circulando por todo distrito, com mais de 24 milhões de trajetos feitos todos os dias. 
 
E não é só isso, com o aumento das ciclovias e dos pontos de aluguel de bikes, a cidade pretende se tornar a capital mundial dos ciclistas até em 2026, aumentando em mais de 400% o uso da bicicleta pela população.  
 
E ai, o que achou das medidas aplicadas na cidade de Londres para transformá-la em uma cidade com mobilidade sustentável?

As e-bikes estão transformando a mobilidade urbana da cidade de São Paulo. Além da Bike elétrica economizar cerca de 14 dias do seu ano, que seriam perdidos no trânsito, elas não são poluentes e vão deixar sua vida muito mais saudável.

Conheça “10 motivos para andar de bike elétrica”.