Mudanças climáticas e o que o IPCC alerta

Mudanças climáticas e o que o IPCC alerta

sexta-feira, julho 15, 2022

IPCC, painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, foi criado para mensurar o avanço das mudanças climáticas e alertar sobre a situação do planeta frente ao aquecimento global. O primeiro relatório foi publicado em 1990 e evidenciou a necessidade da cooperação internacional para combater o avanço das mudanças climáticas. A organização científico-política divulga periodicamente dados essenciais para a formulação de políticas internacionais e posicionamentos de empresas voltadas para o clima.

Mudanças climáticas

Uma vez que o relatório de 2022, sexta edição do documento (AR6), é composto por 2913 páginas de conteúdo complexo e dados densos, a acessibilidade das informações pela esfera pública, empresas e consumidores, não é trivial. Por isso vamos resumir aqui algumas conclusões que os cientistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da Organização Meteorológica Mundial estão alertando sobre as consequências das mudanças climáticas.

Gases do efeito estufa

Nos três cenários de baixas, médias e altas emissões de gases de efeito estufa estipulado pelo IPCC, iremos de qualquer maneira ultrapassar a marca de limite de 1,5 graus celsius de aquecimento, estipulada no Acordo de Paris, entre os anos de 2021 e 2040. Previsão que deixa claro nossa corrida contra o tempo. A cada meio grau a mais de aquecimento, aumenta a frequência de ondas de calor, tempestades e secas que afetam a agricultura, provocando um desequilíbrio imensurável na cadeia global de fornecimento alimentar. Com resultados catastróficos, o IPCC prevê que o mundo pode aquecer até 5,7 graus celsius com um cenário de altas emissões.

CO2 e poluição

O relatório AR6 confirma que as mudanças climáticas fazem mal à saúde física e mental. No mundo todo, a mortalidade por extremos de calor aumentaram, bem como a ocorrência de doenças causadas por alimentação e água relacionadas à crise do clima, como cólera e proliferação de cianobactérias. Casos recentes ao redor do mundo evidenciam como já estamos enfrentando essas consequências. Em julho de 2021, a Alemanha e a Bélgica enfrentaram inundações que destruíram completamente edifícios e mais de mil pessoas continuam desaparecidas. No mesmo período, o ártico perdeu uma área de gelo marinho equivalente ao tamanho da Flórida. Na China, em agosto de 2021, 302 pessoas morreram decorrente de enchentes. Em junho de 2021, o Canadá, segundo país mais frio do mundo e com mais neve, vivenciou temperaturas extremamente altas, a cidade de Lytton bateu o recorde com uma temperatura de 46,6 graus Celsius. 

Atualmente, de 3,3 bilhões a 3,6 bilhões de pessoas vivem em locais ou contextos altamente vulneráveis à mudanças climáticas e as populações de favela são afetadas de forma desproporcional. De 2010 a 2020, a mortalidade causada por enchentes, secas e tempestades foi 15 vezes maior nas regiões mais vulneráveis do que nas menos vulneráveis. Assim sendo, o aquecimento global representa não só uma problemática ambiental, mas também social. As pessoas de menor renda são as primeiras a sofrerem as consequências das mudanças climática, e o motivo para isso são vários: falta de estrutura de moradia, de acesso a serviços de saúde, de disponibilidade alimentar e hídricacontato mais próximo com centros de contágio de doenças transmitidas por insetos e doenças respiratórias causadas por incêndios florestais, entre outros.

Impacto do efeito estufa

Assim sendo, depois de 6 relatórios do IPCC alertando as lideranças globais e empresas no mundo todo, está mais que evidente que a mudança climática induzida pelos seres humanos já causou impactos negativos na vida de milhares de pessoas e danos irreversíveis à natureza. Já estamos cientes da ameaça que o aquecimento global representa e que os próximos anos serão decisivos na proporção do aumento da temperatura global. Por isso, vivemos uma corrida contra o tempo para nos adaptarmos a novos modelos de produção que respeitem e considerem a preservação dos recursos naturais e para implementarmos práticas que busquem mitigar a emissão de gases efeito estufa. Precisamos agir em conjunto e a hora é, mais do que nunca, o agora.

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